agosto 18, 2019

O dia em que subi até a Laguna Humantay

Se você der ‘um Google’ na Laguna Humantay provavelmente pensará o mesmo que eu: “Preciso conhecer esse lugar”. A paisagem é de tirar o fôlego (literalmente) e a trilha até o topo nem é tão longa: 3 km apenas. “Mais fácil que uma corrida de 5km”, pensei.

O que eu realmente não imaginava era a dificuldade de caminhar em uma altitude (olha ela de novo!) de 4.200m. Não importa se você é atleta, medalhista olímpico, ouro no Jogos Pan-Americanos, você vai sentir a dificuldade que é caminhar na altitude.

Primeiro vou contar como fazer para chegar até a Laguna Humantay. As vans normalmente saem de Cusco bem cedo e seguem aproximadamente 100km em uma estrada bem sinuosa até Mollepata, onde é feita uma parada para o café da manhã. Fiquei com medo de passar mal e não comi quase nada (Esse talvez tenha sido um erro, pois me senti extremamente cansada durante a trilha).

Logo depois, são 32km de estrada até o início da chamada Trilha Salkantay, que vai até Machu Picchu. Porém, nesse caso, vamos subir até a base da montanha Salkantay, onde fica a lagoa.

A subida é dividia em duas partes. O guia apontou para uma casinha e explicou que ali seria o meio do caminho. A primeira parte, apesar de difícil, dá para subir devagarinho, respirando lentamente. A segunda parte, muito mais íngreme, eu literalmente pensei que fosse morrer.

Não conseguia dar três passos sem cair no chão. Não sei se a altitude “pegou” mais em mim (porque depende muito de cada organismo) ou se estava fraca por não ter comido muito bem no café da manhã. Só sei que minhas vistas ficaram escuras e minha frequência cardíaca acelerou de um jeito que eu pensei que estava tendo um mal súbito. Sem querer assustar ninguém, foi uma experiência bem desafiadora para mim.

Vi muitas pessoas subindo a cavalo, mas não acho muito legal fazer isso com os animais. Além do mais, eu estava tão mal que achava que ia cair até do cavalo.

Ao chegar na lagoa eu estava tão abatida que mal conseguia ficar em pé. Só lembro de ter visto um grupo de turistas comemorando e escutando “We are the champions”. Deitei no chão e fiquei um tempo sentido o sol no meu rosto (E que sol! Os raios lá de cima parecem que vão queimar a pele).

O guia sugeriu que fizéssemos um ritual à Pachamama com folhas de coca, mas eu não conseguia nem ficar em fé. Tirei algumas fotos com cara de “plena” para guardar de recordação, mas tremia mais que vara verde.

O que aprendi com tudo isso? A não reclamar mais por qualquer coisinha, qualquer corridinha na esteira, qualquer sacola pesada de supermercado, qualquer lance de escada… Quem sobe a Laguna Humantay consegue fazer qualquer coisa nessa vida. “Quem é o crossfit na subida da montanha Salkantay?”. Descobri que sou mais forte do que imaginava!

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