Posts arquivados em: Mês: outubro 2016

outubro 31, 2016

Gente é pra brilhar

Adoro aquela frase de Caetano Veloso que diz que “gente é pra brilhar”, pois é isso mesmo que eu acredito. O corpo humano, formado basicamente por oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e carbono, contém o mesmo material pelo qual são formadas as estrelas.

As estrelas brilham porque os gases encontrados em seu interior entram em fusão nuclear, liberando energia. Da mesma forma, o ser humano “brilha” quando ocorre um processo de “combustão” dentro dele, quando ele se sente completo, pleno e feliz.

Nenhum ser humano nasceu pra sofrer. Observem as crianças: elas são cheias de vida, sabem bem o que querem e têm uma energia incrível.

Se tem uma coisa que me deixa arrepiada é quando vejo uma pessoa exercendo seu total estado de plenitude. Às vezes vou num espetáculo e fico tão encantada que, enquanto tá todo mundo lá curtindo o momento, eu fico com vontade de chorar de tanta emoção, rezando pra ninguém perceber que meus olhos estão cheios de lágrimas. Um ser humano que brilha é lindo de se ver e isso me deixa realmente muito emocionada.

O problema é que tem gente que é especialista em apagar o brilho alheio. Normalmente isso acontece com pessoas que não sabem bem como desenvolver sua própria luz, ou aqueles que acham que só eles têm o direito de brilhar.

Sabe quando você conta que tem o sonho de cantar com Roberto Carlos no especial de Natal e a pessoa vem com aquela história de que isso é para poucos e é melhor você dar um Google no PCI Concursos e procurar um rumo pra sua vida? Você nunca ouviria isso de alguém que teve a honra de dividir o palco com o rei, ou de pessoas que definitivamente conhecem o significado da frase “realizar sonhos”. Observe a vida dessa pessoa que te botou pra baixo e veja que na maioria das vezes ela carrega uma série de frustrações.

Claro que não podemos viver eternamente num mundo de ilusão e fantasias, pé no chão é fundamental, mas se o que faz sua alma vibrar é cantar, faça de tudo para chegar ao seu destino, mesmo que você precise vender Jequiti ou ser executiva de uma multinacional para pagar as contas enquanto não realiza o seu sonho.

Mesmo que você nunca cante no especial da Globo, tenha certeza que onde quer que você exerça o seu talento, ainda que tocando violão na festa de Natal da família, alguém vai encher os olhos de lágrimas ao captar sua emoção ao fazer o que realmente gosta.

Não exercer nosso estado natural de “estrela” é extremamente prejudicial à saúde. Vai de encontro ao principal propósito da vida, que é a plenitude. Mas não pense que para ser estrela você precisa estar nos palcos. Tem gente que é estrela construindo prédios, desenhando plantas, resolvendo equações, salvando vidas em cirurgias de alto risco, ou até mesmo vendendo botijão de gás (você precisa conhecer o cara que vende gás aqui na minha rua!).

Se você acha que sucesso é estar dentro de uma peça de alfaiataria, em uma Land Rover, voltando pra casa no engarrafamento das 19h, eu sinto muito em informar, mas tem muita gente que vive essa rotina à base de clonazepam e fluoxetina.

Tem gente exercendo seu brilho próprio nas sinaleiras, na cozinha de casa, em uma Kombi no Vale do Capão, tocando acordeom em um ônibus lotado, cortando unha de gato em pet shop (sei lá…). Cada qual tem sua maneira única de cintilar, de entrar em combustão, de vivenciar sua fusão nuclear. E quando isso acontece dá pra ver de longe, há anos-luz de distância. Pra quem duvida, dá só uma olhadinha no céu que você vai ver.

outubro 30, 2016

Como assim, digital influencer?

Estava assistindo a um desses programas de beleza na TV e eis que aparece uma menina dando um depoimento, cuja legenda dizia “digital influencer”.

Não lembro bem o nome dela, nem qual a dica que ela deu, já que meus neurônios ficaram um bom tempo em estado de inércia, atualizando o software. Claro que não foi a primeira vez que eu escutei o termo “digital influencer”, já tinha visto diversas outras vezes, mas ele vinha sempre como uma espécie de “subtítulo”.

Fulana de tal, modelo e digital influencer; musa fitness e digital influencer; Youtuber, blogueira, palestrante, maquiadora, seja lá o que for e digital influencer… Agora “digital influencer”, puramente, como profissão exclusiva, com diploma e carteira assinada, foi a primeira vez.

Fiquei um tempão pensando nessa mudança de paradigmas e sobre a quantidade enorme de pessoas e profissões que se dizem influenciadores, gurus, treinadores, incentivadores, todos com a receita pronta para o sucesso e o mapa do caminho para ser feliz.

De uns tempos pra cá, surgiu uma imensa gama de coachs de vida, de carreira, de emagrecimento, de relacionamento, de saúde, financeiro, dentre tantos outros. É tanta gente ensinando gente o que fazer da vida, que dava até pra criar um livro tipo “Admirável Mundo Novo”, baseado no roteiro onde pessoas que não sabem o que quer da vida e ensinam pessoas o que fazer com as suas.

Claro que não estou criticando os grandes líderes, filósofos, pensadores e empreendedores (imagina a quantidade de seguidores que Jesus Cristo teria no Youtube!!). Me refiro às pessoas que ainda não criaram nada verdadeiramente consistente e se acham no direito de se autodenominar “influenciadores” só porque ganhou uma letra “k” ao lado do número de seguidores no Instagram.

Os influenciadores sempre existiram e sempre existirão em toda história da humanidade. Desde aquele garoto – o mais popular da escola – que começou a usar saia e todos passaram a seguir, até a personagem da novela das nove que consegue fazer com que se esgotem todos os xampus de tamarindo das farmácias.

Mas o fato é que tem muito Inri Cristo se achando Augusto Cury, muito tamagotchi se achando iPhone 7‎. E o pior: tentando encontrar nisso um sentido pra sua vida.

Lembre-se: ninguém nasceu para ser influenciador. Você nasceu para um propósito maior e se você for bom naquilo que se propõe, naturalmente as pessoas vão se inspirar em você.

Sem querer ser aquela tia chata, que não se adapta às evoluções da tecnologia, vou te dar um conselho: quando te perguntarem o que você quer ser quando crescer, escolha uma profissão, meu filho, daquela à moda antiga. Você pode até ser padeiro e se tornar um Olivier Anquier, mas esqueça esse negócio de dizer que quer ser influenciador se nem seu gato tá aceitando comer a ração que você escolhe.

Ou você acha mesmo que deve se autodenominar influenciador só porque resolveu ensinar as pessoas como fazer uma máscara de abacate pra hidratar o cabelo ou mostrar no Instagram sua nova paleta Naked da Urban Decay?

Influenciador de verdade era Osama Bin Laden, que mesmo escondido em uma caverna sem wi-fi, fazia as pessoas se matarem em nome de Alah. E você aí se achando o cruzamento do pastor Malafaia com a princesa Diana só porque deixa as pessoas com água na boca postando foto da sua sobremesa no Paris 6.

O verdadeiro influenciador defende uma causa, incentiva pela paixão e pelo talento. Ou você acha que Olympe de Gouges faria publieditorial pra Valisere ou gravaria snapchat no consultório do Dr. Rey com o slogan “mais resistência na sua prótese e na nossa luta”?

Como diria Renato Russo, é muita gente que “fala demais por não ter nada a dizer”. Enquanto isso, tô pensando em mudar de profissão para “digital observer”, só pra ver onde essa história vai chegar.

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