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outubro 08, 2013

O fabuloso destino

Podem me chamar de louca, mística ou esotérica, mas cada dia que passa eu acredito mais em destino. Se eu não tivesse fugido tanto das aulas de física, durante o ensino médio, certamente usaria alguma teoria convincente pra ratificar minhas observações.

Já que a única coisa que ainda lembro é a fórmula da velocidade média, vou ter que apelar pra qualquer teoria empírica ou apostar na mitologia e astrologia para sustentar meu argumento. Aliás, contar um mito grego com um personagem que utilizava os oráculos e misturar com um pouquinho de psicologia analítica é o que basta para ter vontade de tatuar “maktub” na nuca.

Quando eu digo que acredito que as coisas estão predestinadas a acontecer, não significa que a pessoa deverá sentar-se em uma cadeira e esperar acertar os números da Tele Sena sem ao menos comprar um título de capitalização.

Como disse José Saramago, “o destino desconhece a linha reta, tanto assim que antes de converter Rimbaud em traficante de armas, o obrigou a ser poeta em Paris”. Se a possibilidade da existência de um destino te trouxer um sentimento de acomodação é exatamente isso que a vida vai te dar em troca. Mas se a crença de que há um futuro predestinado te impulsiona a correr atrás de teus objetivos, então “levanta-te e anda”, porque está mesmo escrito.

Creio que um dos maiores conflitos humanos seja o desconhecimento de sua própria missão, seu verdadeiro destino. É isso que faz a maioria das pessoas viver eternamente em um movimento solitário de rotação e translação, sem sair de uma órbita particular.

Você passa o dia inteiro tocando violão, sonhando ser Paco de Lucía, vai tentar a sorte no The Voice, mas acaba se tornando funcionário público. Isso não significa que você não tenha talentos artísticos, mas ele (o destino) é um menino teimoso que só faz as coisas quando quer e bem entende. Por mais que você tente de todas as formas mostrar ao mundo que merece ganhar o Grammy Latino, o verdadeiro desfecho está totalmente fora do seu controle.

Enquanto você não descobrir e aceitar o seu verdadeiro destino, vai continuar nadando contra a correnteza, remando contra a maré, achando que tudo está dando errado, quando tudo está sendo apenas como deve ser.

É arriscado fazer esse tipo de comentário publicamente, pois pode parece um pensamento pessimista, que induz à apatia, mas na verdade é libertador. Primeiro, porque te livra da culpa pelo que não deu certo, depois te dá a serenidade necessária para assumir que algo mais forte que você está no controle, evitando assim a
frustração.

Os filósofos estoicos já pregavam na Grécia Antiga, no século 4 a.C., o poder do determinismo cósmico. Pode até parecer um pensamento ultrapassado, com o propósito de te livrar da responsabilidade de tomar decisões, mas já existem pesquisas científicas atuais que mostram que a capacidade de escolha do cérebro não é consciente e o livre arbítrio não passa de uma mera fantasia. O próprio Albert Einstein, em sua teoria da relatividade sobre tempo e espaço afirmou que “a distinção entre passado, presente e futuro é uma ilusão”.

Em praticamente todas as religiões e filosofias ouvimos falar de karma, lei de causa e efeito, provação, profecia, providência divina, fatalidade, acaso, sorte, conspiração do universo ou qualquer outra metáfora para definir a existência de um caminho predestinado. Nem Jesus Cristo escapou da própria sina e já foi logo dizendo pra Judas, pouco antes de ser crucificado: “O que fazes, faze-o depressa”.

Independente da crença de cada um, a vida vai continuar cheia de histórias de gente que sofreu uma fratura e acabou se casando com o ortopedista; desistiu de viajar e recebeu a notícia que houve um acidente na estrada; fez uma vasectomia e descobriu que vai ser papai; ou mudou o caminho para o trabalho e acabou escapando de um assalto. Destino ou coincidência? Melhor não tentar entender.

O importante é ter o destino com um aliado, como uma força impulsionadora que te dá um foco, e não uma energia desmotivadora, que te deixa fadado ao fracasso. Quando entramos em sintonia e fazemos as pazes com o nosso real propósito na vida, tudo começa a fluir melhor. O lado bom de acreditar que tudo está escrito é não perder a fé, mas como disse Shakespeare, “o destino é o que baralha as cartas, mas nós somos os que jogamos”.

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