maio 17, 2019

Editora abre concurso para novos escritores

Você que ama escrever, já pensou em ganhar um contrato com uma editora e ainda publicar um livro com tiragem mínima inicial de 500 exemplares, com direito a lançamento e sessão de autógrafos?

A Editora Coerência está com um concurso aberto para novos autores de romance (ficção, fantasia, policial, drama e terror). As inscrições começaram no último dia 30 de abril e seguem até o dia 30 de maio.

Para participar é preciso residir no Brasil (a obra deve ser inédita e escrita em português, tá?) e o autor não deve ter contrato com outra editora.

O original deve ter entre 190 mil e 600 mil caracteres (com espaços) e o arquivo deve ser enviado no formato .docx (Word), fonte Times New Roman 12 para o e-mail: original@editoracoerencia.com.br, com o assunto: [Concurso] Título do Livro – Autor.

Tanto no nome do arquivo quanto na primeira página devem constar o título da ora e nome do autor/pseudônimo. No mesmo e-mail você deverá enviar também a sinopse do livro, uma minibiografia do autor e links das redes sociais (se houver).

O resultado do concurso será divulgado do dia 01 de julho nas redes sociais da Editora Coerência.

As inscrições são gratuitas! Boa sorte!

março 22, 2019

Nunca esquecerei de você, Gleiser

Muita gente ficou sabendo sobre o prêmio que o físico e astrônomo brasileiro, Marcelo Gleiser, ganhou esta semana por conseguir dialogar entre a espiritualidade e ciência.

O mesmo prêmio, o Templeton, já foi concedido a Madre Teresa de Calcutá, em 1973, e Dalai Lama, em 2012.

Fiquei sabendo da novidade através de uma amiga, que compartilhou a notícia comigo pelo direct do Instagram. Me resumi a responder “Que massa”, mas mal sabe ela que, ao fitar os olhos azuis de Gleiser, eu me sinto sendo encarada pelo meu surperego.

Vou explicar o que aconteceu. No ano de 2010, havia dois anos que eu tinha me formado em Jornalismo. Na época, eu trabalhava em uma editora de revistas e me pediram para escrever uma matéria sobre o artista plástico Vik Muniz, cujas obras estavam ilustrando a abertura de uma novela da Rede Globo.

Eu pesquisei direitinho sobre o artista. Não lembro se cheguei a ligar para ele, mas lembro que no texto não tinha grandes problemas. A grande tragédia aconteceu por causa da foto. Eu consegui transformar Vik Muniz em Marcelo Gleiser de uma forma que nem a ciência, nem a espiritualidade, explicam.

Me pediram para buscar algumas imagens de Vik Muniz no Google, que não tinham direitos autorais. Foi aí que eu cometi o maior erro de toda minha carreira jornalística: apareceu uma foto de Marcelo Gleiser com o titulo “Vik Muniz” e eu encaminhei a imagem para minha editora.

Passaram-se alguns meses. Eu nem lembrava mais dessa matéria, quando o diretor da empresa entrou na redação, jogou a revista em cima da mesa que estava ao meu lado, me olhou nos olhos e perguntou: “Quem é esse cara?”, apontando para a foto de Gleiser. Devolvi, gaguejando, a pergunta: “V-i-k M-u-n-i-z?”.

Não. Não era ele. Era o físico brasileiro e seus olhos azuis, porém, já era tarde demais. A revista já tinha sido impressa em milhares de cópias e já tinha sido entregue em um cocktail de lançamento, em São Paulo (Só de lembrar disso, me dá um arrepio na alma).

Até hoje não sei como não fui demitida naquele dia. Levei um bom tempo para conseguir falar abertamente sobre meu erro e, peço desculpas, caso Marcelo Gleiser leia algum dia esse texto.

Tenho certeza que se ele ganhou o mesmo prêmio que Madre Teresa de Calcutá e Dalai Lama, ele vai me perdoar. Talvez não tenha sido tão ruim ser Vik Muniz por um dia. Se trocarem minha foto por uma de Cleo Pires, eu tô aceitando.

janeiro 02, 2019

Por que escrevo?

Numa dessas reflexões clichês de fim de ano andei pensando bastante sobre o motivo pelo qual escrevo.

Desde pequena, quando me perguntam o que gosto de fazer, costumo responder: “Escrever”. Mas será mesmo que o simples fato de sentar em frente a um computador e digitar em um teclado é uma das coisas que mais me dá prazer na vida? Definitivamente, não.

O que me dá prazer é dançar, ouvir música, uma taça de carménère, tomar banho de mar, o biscoito de coco que só minha tia Joelma sabe fazer, dentre outros detalhes que poderia continua citando. Escrever é mais uma necessidade, como escovar os dentes ou cortar as unhas do pé. Não é o ato mais prazeroso do mundo, mas você precisa fazer, senão terá sérios problemas.

Foi aí que cheguei à conclusão que escrevo, na verdade, para me conectar com pessoas. Poderia pintar um quadro, compor uma música, tocar um instrumento, mas optei por costurar palavras no papel. Quando escrevo com a alma, me sinto uma artesã, mudando parágrafos de local, buscando sinônimos, fechando os olhos e criando conexões e metáforas que expliquem exatamente como vejo o mundo.

Às vezes me incomoda as vistas, me dói o ombro, mas a sensação de receber uma mensagem de alguém dizendo: “Era exatamente isso que eu queria dizer, mas não sabia como”, não tem preço.

Vamos ser honestos: ninguém escreve para ser criticado. A gente quer mesmo é encontrar nossa tribo. Pessoas que compactuam dos mesmos pensamentos e sentimentos. Eu escrevo para ter pertencimento. Entre 7,6 bilhões de habitantes, estamos conectados nesse momento e isso é mágico.

Se você está aqui lendo esse texto, entre tantas coisas que poderia estra fazendo, entre tantos conteúdos disponíveis na internet, já temos algo em comum. É isso que importa para mim: essa conexão.

Palavras, por mais simples que pareçam, podem mudar o dia de alguém. Escrita sem sentimento é texto de MS-DOS. O que gosto de fazer é despertar sentimentos e afinidades.

Se você gostou do que leu, já subimos mais um degrau na afinidade. Já dá até para compartilharmos uma taça de carménère, ou um biscoito de coco (não necessariamente nessa ordem). Esse é o sentindo real da coisa, se é que você me entende. Para mim, isso basta.

janeiro 17, 2018

Tomar juízo

 

Toda vez que eu termino de falar com minha avó, ao telefone, ela me deseja um monte de coisas boas e finaliza com a palavra “juízo”. Minha resposta é sempre a mesma: “Juízo eu não quero, não”. Nós damos risada, ela finge que ficou assustada com a resposta, mas deixa no ar aquele clima de cumplicidade, de quem sabe que no fundo eu tenho razão.

O ritual já se repete há anos. Ela continua cumprindo seu papel de avó, me desejando uma boa dose de prudência na vida; eu continuo cumprindo meu papel de neta, garantindo meu lado cult rebelde; e nós continuamos cumprindo nosso papel em concordar que a vida tem muito a ser vivida e juízo demais aprisiona.

Não que eu queira viver de forma irresponsável, mas juízo em excesso é inimigo da plenitude. Juízo é aquele amigo invejoso e covarde, que se disfarça de protetor, mas vive te criticando, te punindo, reprimindo e, no fundo, queria estar no seu lugar.

Claro que não saio por aí descumprindo horários, ultrapassando o sinal vermelho ou furando a fila de prioridade. Quando falo em perder o juízo, me refiro em se livrar do julgamento, dos bloqueios, dos traumas, dos limites que nos foram postos pela sociedade, ou até mesmo por nossos pais, na infância.

Nenhum ser humano consegue ser livre e feliz se for comandado pelo superego que, na maioria das vezes, te faz de refém.

Ao invés de juízo, deveríamos desejar, uns aos outros, coragem, que significa agir com o coração. Juízo é petição, coragem é sinfonia.

As melhores decisões que já tomei na vida foram totalmente sem juízo. Daquelas que você pensa em desistir nos últimos minutos do segundo tempo, mas acaba fechando os olhos e indo.

Não quero incentivar pessoas a cometerem atos irresponsáveis, que façam mal a si próprio ou à outras pessoas, mas desde que você não tenha sido diagnosticado com nenhum tipo de psicose ou psicopatia, só tenho um conselho a te dar: perca o juízo.

Tome banho na chuva, viaje sem rumo, pinte o cabelo, dance até amanhecer, esqueça a dieta, se apaixone, mude de casa, cante “Evidências” no karaokê, case, separe, acampe, faça novas amizades, tatue o nome do seu cachorro, faça aula de trapézio, durma uma semana em uma tribo indígena, escute alto música brega, diga uma palavra de carinho a um desconhecido na rua, experimente sabores exóticos, aprenda a tocar um instrumento… Poderia continuar dando inúmeras sugestões, mas cada qual sabe suas necessidades e limitações.

Certa vez, conheci uma mulher que não conseguia andar descalça, porque seu pai a colocava de castigo quando a encontrava sem sapatos, durante a infância. Para ela, perder o juízo era simplesmente conseguir colocar o pé na grama.

A verdade é que, como diria Clarice Lispector: “Perder-se também é caminho”. Com uma boa dose de amor no coração, ninguém precisa de juízo. Ainda bem que minha avó concorda comigo.

 

 

janeiro 16, 2018

Petit Gateau

 

Tem uma frase de Jorge Luis Borges, no início da biografia de Freud, escrita por Elisabeth Roudinesco, que diz: “Um homem só morre efetivamente depois que o último homem que o conheceu morre também”.

Lembrei dessa frase no último domingo, quando meu filho pediu um petit gateau, como sobremesa, depois do almoço. Não que Jorge Luis Borges tenha nenhuma ligação com petit gateau, nem muito menos Freud, já que pelo menos até onde se sabe não há nenhum registro do pai da psicanálise degustando um bolinho francês ao lado de Charcot, enquanto estudava em Paris.

A frase veio à mente porque, ao provar um pedacinho da sobremesa, tive uma lembrança bem vívida da infância. Algum ingrediente daquele petit gateau, especificamente, era o mesmo que tinha nos bolos de uma senhora que fazia doces, lá numa cidadezinha do interior da Bahia, onde eu morava, no início da década de 90.

Me lembro pouco de Dona Catarina. Das raras lembranças que guardo na memória, me recordo que a porta da casa dela era de madeira e havia duas janelinhas, daquele modelo antigo que não faço a mínima ideia como se chama.

Uma das janelinhas ficava sempre aberta, por onde exalava um delicioso cheiro de algo parecido com baunilha, manteiga ou farinha láctea. Não consigo descrever exatamente, mas era um aroma que causava uma reação sinestésica, uma mistura de afeto, gentileza e muita, muita habilidade em fazer os melhores bolos da cidade.

É aí que entra a frase de Borges. Já se passaram mais de vinte anos o cheiro dos bolos de Dona Catarina ainda permanece na minha memória, mesmo sem ela estar fisicamente presente nesse planeta. Isso me fez pensar o quanto que é importante seguirmos os nossos verdadeiros dons, se quisermos viver o máximo de tempo possível, quiçá, tentarmos alcançar uma audaciosa imortalidade.

O tempo que você vive não é aquele em que você passa aproveitando as maravilhas do mundo ou degustando petits gâteaux, mas sim, o tempo que suas ideias e ações permanecem e ecoam nas gerações futuras.

Dona Catarina não precisou criar a Apple para marcar a vida de alguém. Ela não criou o bitcoin, não fundou startups, nunca fez stories no Instagram, não tinha currículo no LinkedIn, mas marcou minha infância e a de muita gente com algumas gotas de essência de baunilha e claras batidas em neve, o que só me faz crer que petit gateau talvez tenha mais a ver com Freud do que se imagina e que Jorge Luis Borges continua sendo um dos melhores escritores da atualidade.

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